Psicóloga Aviação: Lições do vôo 447 da Air France

Psicóloga Aviação: Lições do vôo 447 da Air France

Desastre aéreo de 2009 impacta a história da Aviação e deixa profundas reflexões no âmbito da Psicoterapia, consolidando ensinamentos inestimáveis.

Entenda o que acontece quando você entra em uma “Restrição Cognitiva”

O Airbus 330 representava o que havia de mais avançado tecnologicamente no que diz respeito às aeronaves.

Certamente, antes da invenção de sistemas automotivos de aviação, o índice de acidentes aéreos era muito maior devido à sobrecarga de atenção demandada aos pilotos.

A grande contradição é que com o aumento da automação, nossa atenção é posta em xeque e passamos a enfrentar um novo desafio: a restrição cognitiva.

Isso porque nos acomodamos em um estado de relaxamento quando temos um robô pensando automaticamente e executando o operacional no nosso lugar.

Quando o cérebro se vê obrigado a agir, enfrenta um estado ansioso e perdemos a
capacidade de focar.

É o caso, por exemplo, que acontece quando você está relaxado, em uma reunião,
deixando que os demais falem, sem prestar muito atenção, quando de repente,
subitamente, alguém pede que você opine. Sendo pego de surpresa, é bem provável que gagueje, ou se constranja pois não estava esperando por aquilo.

O contrário seria se você estivesse prestando atenção e já formando em sua mente uma opinião prévia sobre cada assunto. Caso alguém lhe questionasse, você conseguiria desenvolver sua ideia com fluidez ou, mesmo que declinasse, o faria com segurança pois estaria em alerta.

Quando estamos no “modo automático”, apenas reagimos ao invés de raciocinar.

A restrição cognitiva é um “curto circuito mental”, quando o cérebro é obrigado a sair do estado de automação para um estado de atenção.

O que aconteceu na queda daquele airbus foi uma restrição cognitiva pois as caixas pretas revelaram que os pilotos foram  surpreendidos quando o piloto automático apresentou falhas, sendo pegos de surpresa, incapazes de raciocinar soluções em tempo hábil.

Os detalhes da queda já estão amplamente difundidos na mídia e o propósito aqui não é discutir os detalhes da tragédia, mas refletir o aspecto psicológico do treinamento mental necessário para pilotos.

Esse aspecto também é muito importante no nosso dia a dia pois o “pensar” não deve serdelegado. É essa prática que nos impulsiona na tomada de decisões, promovendo o
desenvolvimento contínuo da mente.

As reflexões aqui propostas foram pautadas no estudo da ciência da produtividade, por Charles Duhigg.

O estudo de casos em acidentes aéreos à luz da Restrição Cognitiva corrobora a importância da psicoterapia enquanto processo auxiliador para o preparo da mente de tripulantes, como também nos mais diversos cenários pessoais e profissionais.

Ter a consciência sobre essa realidade é o 1o passo. Estudos realizados para reverter o estado restrição cognitiva serão abordados no próximo post. Confira!

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